Centro de uma vasta e rica região, cuja fertilidade foi aclamada pelos autores árabes, o território centralizado em Lisboa e do qual dependiam várias outras cidades como Sintra, Santarém ou Alenquer, foi dos mais profusamente islamizados no período do Al Andaluz.
Aquando da conquista cristã no século XII, e atenta a sua posição de fronteira terrestre e marítima, a Al-Usbuna islâmica era das mais relevantes e populosas do Ocidente peninsular e um dos extremos do comércio portuário mediterrânico conectada com o demais mundo islâmico por via marítima.
Durante o domínio muçulmano e seguindo os modelos de tradição mediterrânica de cidades-porto, o traçado urbano da cidade desenvolvia-se em dois polos agregadores. Na zona mais elevada da cidade erguia-se a alcáçova, com amuralhamento próprio, ainda hoje praticamente preservado, e que corresponde ao núcleo do Castelo de S. Jorge. Na beira-rio concentravam-se os artesãos, pescadores e comerciantes, e uma intensa atividade portuária, incluindo construção e reparação navais. Entre estes dois polos centrava-se a vida comercial, cívica e religiosa - a medina defendida por cerca de 2 Km de muralha da chamada "Cerca Moura”, que a separava dos arrabaldes como Alfama, um bairro fora de muralhas que comunicava com o interior pela porta de Alfama, e onde se localizavam águas de nascente termais, os banhos designados em árabe de al hamma, e que deram assim o significado ao topónimo Alfama, hoje um dos bairros mais típicos de Lisboa.
Desde a referência do Cruzado Osberno, na sua carta De expugnatione Lyxbonensi - um dos textos mais elucidativos sobre a Lisboa Islâmica e sobre a sua conquista pelos cristãos -, à antiga mesquita aljama da cidade, que se tem investigado a existência da mesma sob a atual catedral cristã. Não deixe, por isso mesmo, de visitar a Sé Catedral de Lisboa que reflete reaproveitamentos múltiplos de, e em, diferentes tempos, e onde a atividade arqueológica pôs a descoberto habitações muçulmanas, e, mais recentemente, fragmentados edifícios pertencentes à época almorávida, incluindo um compartimento possivelmente pertencente a um edifício de banhos e 3 pisos de um edifício público interpretado como pertencendo ao complexo da mesquita aljama de época almorávida.
Toda a área do Castelo e da Sé Catedral têm vindo a ser objeto de escavações arqueológicas que atestam a existência de uma cidade islâmica de grande importância política, comercial e religiosa, onde coexistiam muçulmanos, cristãos e judeus. De facto, e até à conquista cristã, Lisboa manteve uma importante comunidade moçárabe - cristãos herdeiros do ritual visigótico que continuavam a praticar, mas que adotaram a cultura e a língua árabes – como testemunha a designada “placa do paraíso”, peça de grande qualidade artística com iconografia muito cara aos cristãos peninsulares da época, integrada na Sé Catedral de Lisboa.
A cidade mudou de mãos, mas a coexistência perdurou. Após a conquista pelo rei português D. Afonso Henriques, em 1147, Lisboa e os seus arredores beneficiaram da mais importante comunidade mourisca até finais do século XV. A comuna de Lisboa beneficiou da atribuição de foral aos mouros forros logo em 1170 por aquele monarca. A partir do IV Concílio de Latrão, que em 1215 impôs a delimitação entre a comunidade cristã e as demais minorias religiosas, os muçulmanos foram relegados para a Mouraria, bairro ainda hoje conhecido pelo mesmo nome e um dos mais típicos e multiculturais de Lisboa.
Esta forte comunidade mourisca, que permaneceu na cidade até ao Édito de Expulsão dos Judeus e dos Mouros de Portugal do rei D. Manuel I (1497), imprimiu um forte cunho mudéjar a Lisboa que perdurou e que viria a influenciar a arquitetura de estilo neoárabe da cidade como a Praça de Touros do Campo Pequeno, o Palacete Ribeiro da Cunha (Palacete Mourisco), o Hotel Chafariz d`El Rey, e os elementos arquitetónicos e decorativos neoárabes no interior do Palácio Alverca, comummente designada por Casa do Alentejo, da Cinemateca Portuguesa e da Sala Árabe do Palácio Ratton (atual Tribunal Constitucional).
São vários os vestígios que subsistem do passado islâmico de Lisboa e que se podem conhecer em diversos núcleos museológicos por toda a cidade, como o Museu Nacional de Arqueologia, o Núcleo Arqueológico da Casa dos Bicos e o Núcleo Palácio Pimenta, ambos do Museu de Lisboa, o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, o Museu Arqueológico do Carmo, assim como o Museu Calouste Gulbenkian, que alberga a notável coleção particular de Calouste Gulbenkian, com destaque para o núcleo de Arte do Oriente Islâmico.
São de visitar ainda a Sala Fernandina do Hotel Corpo Santo e a exposição arqueológica do Eurostars Museum Hotel, locais carregados de História onde poderá testemunhar também o legado islâmico na cidade de Lisboa.
Centro de uma vasta e rica região, cuja fertilidade foi aclamada pelos autores árabes, o território centralizado em Lisboa e do qual dependiam várias outras cidades como Sintra, Santarém ou Alenquer, foi dos mais profusamente islamizados no período do Al Andaluz.
Aquando da conquista cristã no século XII, e atenta a sua posição de fronteira terrestre e marítima, a Al-Usbuna islâmica era das mais relevantes e populosas do Ocidente peninsular e um dos extremos do comércio portuário mediterrânico conectada com o demais mundo islâmico por via marítima.
Durante o domínio muçulmano e seguindo os modelos de tradição mediterrânica de cidades-porto, o traçado urbano da cidade desenvolvia-se em dois polos agregadores. Na zona mais elevada da cidade erguia-se a alcáçova, com amuralhamento próprio, ainda hoje praticamente preservado, e que corresponde ao núcleo do Castelo de S. Jorge. Na beira-rio concentravam-se os artesãos, pescadores e comerciantes, e uma intensa atividade portuária, incluindo construção e reparação navais. Entre estes dois polos centrava-se a vida comercial, cívica e religiosa - a medina defendida por cerca de 2 Km de muralha da chamada "Cerca Moura”, que a separava dos arrabaldes como Alfama, um bairro fora de muralhas que comunicava com o interior pela porta de Alfama, e onde se localizavam águas de nascente termais, os banhos designados em árabe de al hamma, e que deram assim o significado ao topónimo Alfama, hoje um dos bairros mais típicos de Lisboa.
Desde a referência do Cruzado Osberno, na sua carta De expugnatione Lyxbonensi - um dos textos mais elucidativos sobre a Lisboa Islâmica e sobre a sua conquista pelos cristãos -, à antiga mesquita aljama da cidade, que se tem investigado a existência da mesma sob a atual catedral cristã. Não deixe, por isso mesmo, de visitar a Sé Catedral de Lisboa que reflete reaproveitamentos múltiplos de, e em, diferentes tempos, e onde a atividade arqueológica pôs a descoberto habitações muçulmanas, e, mais recentemente, fragmentados edifícios pertencentes à época almorávida, incluindo um compartimento possivelmente pertencente a um edifício de banhos e 3 pisos de um edifício público interpretado como pertencendo ao complexo da mesquita aljama de época almorávida.
Toda a área do Castelo e da Sé Catedral têm vindo a ser objeto de escavações arqueológicas que atestam a existência de uma cidade islâmica de grande importância política, comercial e religiosa, onde coexistiam muçulmanos, cristãos e judeus. De facto, e até à conquista cristã, Lisboa manteve uma importante comunidade moçárabe - cristãos herdeiros do ritual visigótico que continuavam a praticar, mas que adotaram a cultura e a língua árabes – como testemunha a designada “placa do paraíso”, peça de grande qualidade artística com iconografia muito cara aos cristãos peninsulares da época, integrada na Sé Catedral de Lisboa.
A cidade mudou de mãos, mas a coexistência perdurou. Após a conquista pelo rei português D. Afonso Henriques, em 1147, Lisboa e os seus arredores beneficiaram da mais importante comunidade mourisca até finais do século XV. A comuna de Lisboa beneficiou da atribuição de foral aos mouros forros logo em 1170 por aquele monarca. A partir do IV Concílio de Latrão, que em 1215 impôs a delimitação entre a comunidade cristã e as demais minorias religiosas, os muçulmanos foram relegados para a Mouraria, bairro ainda hoje conhecido pelo mesmo nome e um dos mais típicos e multiculturais de Lisboa.
Esta forte comunidade mourisca, que permaneceu na cidade até ao Édito de Expulsão dos Judeus e dos Mouros de Portugal do rei D. Manuel I (1497), imprimiu um forte cunho mudéjar a Lisboa que perdurou e que viria a influenciar a arquitetura de estilo neoárabe da cidade como a Praça de Touros do Campo Pequeno, o Palacete Ribeiro da Cunha (Palacete Mourisco), o Hotel Chafariz d`El Rey, e os elementos arquitetónicos e decorativos neoárabes no interior do Palácio Alverca, comummente designada por Casa do Alentejo, da Cinemateca Portuguesa e da Sala Árabe do Palácio Ratton (atual Tribunal Constitucional).
São vários os vestígios que subsistem do passado islâmico de Lisboa e que se podem conhecer em diversos núcleos museológicos por toda a cidade, como o Museu Nacional de Arqueologia, o Núcleo Arqueológico da Casa dos Bicos e o Núcleo Palácio Pimenta, ambos do Museu de Lisboa, o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, o Museu Arqueológico do Carmo, assim como o Museu Calouste Gulbenkian, que alberga a notável coleção particular de Calouste Gulbenkian, com destaque para o núcleo de Arte do Oriente Islâmico.
São de visitar ainda a Sala Fernandina do Hotel Corpo Santo e a exposição arqueológica do Eurostars Museum Hotel, locais carregados de História onde poderá testemunhar também o legado islâmico na cidade de Lisboa.
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